Operação pacifica bairros de Belém

A população dos bairros do Guamá e da Terra Firme, que antes era acostumada a ver as ruas dominadas por bandidos, agora convive diretamente com a polícia. São doze viaturas, cada uma com três homens, um helicóptero e mais duas lanchas no canal do Tucunduba. Algo tão diferente da realidade desses bairros faz com que os moradores pensem que estão dentro de um filme policial americano. Um verdadeiro espetáculo. Mas, apesar de todo esse aparato, a operação ‘Força pela Paz’, deflagrada pelo governo do Estado na última segunda-feira, 1º, não conseguiu impedir que dois homicídios acontecessem no bairro da Terra Firme somente na quinta-feira.

A opinião da população sobre o reforço no policiamento é unânime. A esperança de dias mais tranqüilos vai acabar junto com o prazo de validade da operação, no final deste mês. É o que diz a comerciante Alexandra Cristina da Silva, que reside no bairro da Terra Firme há 13 anos. ‘Moro na passagem Lauro Sodré, uma das mais perigosas da Terra Firme. Já cansei de ouvir comentários sobre assaltos e homicídios na região. Quando a operação ‘Força pela Paz’ chegou ao bairro, muita coisa mudou para melhor. Mas me entristece saber que quando os policiais tiverem que ir embora tudo vai voltar a ser como era antes ou até mesmo pior’, disse.

O vendedor ambulante José Pereira de Souza, de 62 anos, disse que já está acostumado com os constantes assaltos na Terra Firme. ‘Já fui assaltado quatro vezes. Na última, os bandidos me machucaram. Eles estavam armados com facões. Foi lá na Mundurucus, que é o setor da bandidagem. Eles ficam esperando o pessoal passar para roubar; os assaltantes não têm dó de ninguém. De vez em quando ficam me observando para assaltar a minha barraca, mas não sabem que, muitas vezes, não tenho nem o dinheiro da merenda’, informou.

De acordo com José Pereira de Souza, enquanto os policiais estiverem fiscalizando o bairro vai ser muito bom. ‘Depois que eles chegaram, a situação melhorou, os crimes diminuíram bastante. Se os policiais ficassem aqui por pelo menos um ano, a violência acabaria’, disse o vendedor ambulante.

O eletricista Washington Campos da Silva acredita que o reforço no policiamento é essencial, já que a situação de violência nos bairros da Terra Firme e Guamá está muito ‘pesada’. ‘Espero que a operação continue. A população desses bairros pede socorro’, ressaltou.

Polícia não divulga dados sobre criminalidade

O subcomandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), o major Saraiva, disse que a operação escolheu os pontos de ação da polícia de acordo com o número de homicídios por habitante. Além da Terra Firme e do Guamá, os bairros da Cremação, Jurunas, São Brás e Marambaia também receberam reforço no policiamento. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estadual de Segurança (Segup) do Pará, os dados estatísticos da criminalidade nessas regiões não puderam ser divulgados, pois são consideradas informações estratégicas no combate à violência. Mesmo assim, não é novidade para ninguém que esses bairros pediam ‘socorro’ há muito tempo.

As rondas são feitas dia e noite. O posto da operação, que fica no centro da Terra Firme, também funciona 24 horas. O comandante da ‘Força pela Paz’, major Armando, informou que o trabalho está sendo feito somente com a elite da Polícia Militar: Cavalaria, Tático, Choque, Rotam, Comando de Operações Especiais, entre outros. Policiais civis, agentes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e integrantes do Corpo de Bombeiros também participam da operação.

CRIMES
Após trinta minutos que a reportagem de O LIBERAL saiu da Passagem Marinho, na Terra Firme, um homem foi assassinado com doze tiros. O crime, que aconteceu na quinta-feira, 4, pode ter sido motivado pelo envolvimento da vítima com o tráfico de drogas. José Silva Araújo, conhecido como ‘Peru’, já teve várias passagens pela polícia. A Seccional Urbana do Guamá sabe o nome do possível autor dos disparos, mas preferiu não divulgar para não atrapalhar as investigações. Esse foi o primeiro caso de homicídio registrado após a chegada da operação ‘Força pela Paz’.

O acusado do homicídio seria um traficante que age na Terra Firme e Guamá, que estaria disputando pontos de tráfico de drogas. Provavelmente, o assassinato de José Araújo tem ligação com outro crime, que aconteceu há duas semanas no mesmo bairro. A sobrinha da vítima, Carla Araújo, disse que o tio foi morto porque testemunhou um homicídio há alguns dias. Ela informou ainda que os criminosos aparentavam ter menos que 18 anos e seriam os mesmos que praticaram o assassinato testemunhado por José Araújo.

No mesmo dia, às 22 horas, Elton Alan Paiva, de 25 anos, também foi assassinado. O crime aconteceu na Passagem Lauro Sodré, entre as Passagens Trindade e Liberal. Segundo a polícia, existe suspeita de acerto de contas. O subcomandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), major Saraiva, disse que mais um homicídio aconteceu na Marambaia, mas não soube informar detalhes do crime.

Cientista política defende política contínua de combate à violência

A doutora em Ciência Política, Kátia Mendonça, que também trabalha com educação para a não violência e ética, acredita que a operação ‘Força pela Paz’ é apenas mais uma medida espetacular do governo atual. Segundo ela, esse tipo de trabalho é como os fogos de artifício, que queimam, deslumbram e desaparecem. ‘O governo estadual, dias após a posse, desencadeou algo semelhante em termo de segurança pública. Foi uma operação de efeito espetacular e efemero que durou poucos dias. Nesses dois anos, não se viu uma política consistente e contínua de segurança pública’, informou.

De acordo com Kátia Mendonça, o pouco de eficácia que se tinha era com as Zpols (Zonas de Policiamento), a integração policial e o patrulhamento constante e persistente de todas as zonas da cidade, que foram destruídos. ‘Ou seja, ficamos sem ações concretas e articuladas em termos de segurança. A cidade ficou à mercê de uma criminalidade crescente em todos os bairros. Raro é voce encontrar um policiamento ostensivo, como o da Polícia Militar, em qualquer região da cidade’, disse a cientista política.

Tentar resolver o problema em apenas alguns bairros, quando a violência campeia em toda cidade, segundo Kátia Mendonça, é absolutamente inconsistente. Para ela, é normal que a população tenha medo do retorno da violência em escala maior. ‘Isso nao é politica de segurança pública, constitui-se antes em uma falácia’, disse.

Kátia Mendonça disse ainda que medidas simples, como a iluminação de vias articulada com o policiamento, podem surtir o efeito desejado. A polícia comunitária que, de acordo com a cientista política, nunca foi valorizada, quando bem capacitada e com as pessoas certas envolve a comunidade no processo e todos se ajudam. Mas ela lembra que segurança pública não é só policiamento, implica em diversos fatores.

Os homicídios em plena operação ‘Força pela Paz’, segundo Kátia Mendonça, mostram que o poder público perdeu a autoridade. ‘Há um mapa da violência que se articula com um quadro socioeconômico, mas, além disso, o que se vê é um quadro de desarticulação dos laços morais, sociais e de civilidade. A morte foi banalizada e a arma é a estratégia de resolução de qualquer conflito’, explicou.

A cientista política considera que Belém está diante de um gravíssimo quadro de comportamentos violentos que vão além de questões de ordem socioeconômica. ‘Iniciam-se pela ausência de referencial e exemplo ético do Estado brasileiro e continuam pela cópia de outros comportamentos violentos. Creio que o governo tem que criar ou retomar medidas contínuas e concretas de segurança pública se quiser efetividade imediata’, completou.

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Mídia 200 Anos – Do Impresso à Internet

Este foi o tema da semana da comunicação deste ano na Universidade da Amazônia e o artigo foi feito para a disciplina História da Imprensa 2º NI.

 

 

            Este ano a mídia, ou melhor, a imprensa propriamente dita comemora 200 anos de existência no Brasil. Para alguns pode parecer muito tempo, mas em relação ao restante do mundo ocidental a invenção de Gutemberg nas terras brasileiras estava com um atraso de exatos três séculos.

            O principal motivo deste atraso foi o sistemático domínio da coroa portuguesa que junto com a Igreja Católica mantiveram a colônia sob as rédeas da violência e submissão intelectual. A falta de uma consciência econômica capitalista também foi determinante.

            Nas Américas, as colônias espanholas e norte-americanas já conheciam as atividades da imprensa. Esta atividade a época tinha um caráter quase que exclusivamente capitalista e o Brasil se tratava de uma colônia escravocrata com a maioria da população basicamente analfabeta e rural o que inviabilizava a reprodução da técnica.

            A partir da chegada da família real portuguesa que desembarcava no Rio de Janeiro no dia 24 de março de 1808, fugida das investidas napoleônicas, a história da prensa no Brasil começaria a mudar, não que as atividades fossem nulas, sim até existiam, só que de forma, como não poderia deixar de ser, clandestina.

            Com a chegada de Dom João VI, Carlota Joaquina e companhia ao “Quinto dos Infernos” também aportou a modernidade tão sonhada e junto com ela novas formas de pensar e construir o conhecimento em que fazer parte do mundo moderno era saber ler, escrever e estar informado, com a lógica de dominar a imprensa.

            Esta imprensa se desenvolveu com Hipólito José da Costa, disseminador de idéias e questionador de rumos políticos, que criou o jornal Correio Braziliense em 1º de junho de 1808 em Londres. Este jornal pôs a colônia em contato com as notícias do mundo, inclusive o processo de independência das outras colônias americanas.

            Já o príncipe regente, longe da caricata figura do bonachão que a estória insiste em representar, foi o responsável pela implantação da imprensa oficial no país. É com a família Real que chegam os primeiros livros e uma tipografia completa. Em 13 de maio de 1808 D. João VI cria a Imprensa Régia.

            Este foi o primeiro passo que trouxera ao país a possibilidade de criação de muitos outros jornais e impressos nos anos seguintes. A Gazeta do Rio de Janeiro, O Patriota, O Bem da Ordem, O Conciliador do Reino, O Espelho, A Malagueta, O Macaco Brasileiro e o Papagaio foram alguns dos impressos que se comportavam com o propósito de manter a ordem política vigente ou contestá-la.

            Com os movimentos do final do século XIX, abolicionismo e republicanismos, inúmeros foram os jornais que seguiram a mesma linha. Segundo o texto história profissionalizada de João do Rio “A imprensa que anuncia a república iniciou morna, senão temerosa”.

            Em meio ao impresso e ainda durante a república velha surge o Rádio, em 1922, quando ocorreu a primeira transmissão, um ano depois surge a rádio Sociedade do Rio de Janeiro – PRA-A que foi a primeira estação a transmitir regularmente.

            Nestes anos da década de 1920 as ondas do rádio serviram sobre tudo para divertir, mas a partir dos anos 1930 surge o que se convencionou chamar de A Era do Rádio, agora entretenimento e informação seguem juntos.

            Os anos 50 são o do inicio e aprimoramento do principal veículo de integração brasileiro é a televisão que chega com força total. A TV Tupi de São Paulo é inaugurada e aqui se faz basicamente o que se fazia no rádio agora com o predomínio da imagem.

            Por quarenta anos a TV reinou absoluta nos lares brasileiros, a companhia dos jornais e revistas era para poucos e o rádio servia mais para o entretenimento. Na década de 90 um apetrecho da guerra fria se torna acessível aos centros de comunicação e logo aos lares de centenas de brasileiros, é a Internet.

            A Web, como também é chamada, ficou conhecida no Brasil a partir de 1995, não pela velocidade de conexão ou por meio dos meios de comunicação, mas sim pela telenovela “Explode Coração” escrita por Glória Perez com direção de Dennis Carvalho que inovou e usou a novidade como tema. Hoje a internet está presente nas casas, nas escolas, nas empresas, instituições e principalmente nas redações dos jornais, revistas, rádios e televisões do país auxiliando na produção de pautas e no fluxo de informações a principal marca do fenômeno da globalização.        

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A Imprensa implantada sob as rédeas do governo. Pior que isso, só o modelo de responsabilidade de informação da minha universidade.

Este é um artigo que fiz em junho deste ano e que corresponde à disciplina de História da Imprensa do meu curso de Jornalismo na Unama (Universidade da Amazônia), que aliás não se sabe até agora o que realmente está acontecendo nesta bendita instituição, no que diz respeito à greve, renuncia do reitor ou seja lá o que for que está se passando na casa, mas isso já é um gancho para outro post…Sim, isto é um prólogo de um desabafo. No entanto, sigo para o assunto que realmente será abordado hoje.

Entrave estatal na comunicação

A herança maldita deixada pelos portugueses de manifestar um descaso na imprensa parece surtir efeito no governo atual do país, pelo menos este seria um dos motivos encontrados para justificar a interferência e distorção do que seria a primeira emissora de TV pública do Brasil, a TV BRASIL.

Será radical demais pensar que uma intervenção estatal numa emissora de TV é uma forma de inibir críticas ao próprio governo, se for o caso? Muitas perguntas ficam no ar com um assunto em que cada dia ganha uma discussão diferente, pois cada vez mais o conceito de um canal, estação, site ou qualquer outro veículo de comunicação o qual tenha a idéia inicial de servir como ferramenta de utilização de esfera pública é na verdade mais uma manobra ou válvula de escape para que o estado a utilize como ação paliativa ou até mesmo para uma autopromoção de sua gestão, já que se discute muito e é considerado um sintoma de desenvolvimento um país que utiliza a mídia como uma janela para a sociedade, sem intervenção privada para divulgação de merchandising e sim para fóruns de discussões de assuntos com relevância de fato social.

Por que, ao invés do governo federal, a nova TV pública não poderia ser gerida pelo Congresso Nacional, como acontece nos países parlamentaristas da Europa? Assim, todas as correntes políticas seriam contempladas, não seria a “TV do presidente”. Afinal, o Congresso já administra a TV Câmara e a TV Senado, que, ao que parece, vão muito bem. Há de se ter compromisso com a ética na hora de lutar contra o atrelamento das emissoras ao estado, um eficaz de verdade e diferente deste que é contra a propaganda exarcebada nas TV’s privadas e que entopem os horários dos programas “caseiros” das tardes nos dias de semana, pois se eles funcionassem não teríamos que ver tantas vezes a famosa propaganda da câmera digital, por exemplo.

tvlula

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O impacto que esse modelo (ainda não exatamente definido em termos práticos) teria nas regiões estaduais faz pensar o tamanho do abacaxi que o Fórum e o Governo têm para descascar. Por isso a sociedade precisa, de alguma forma, afirmar seu desejo de ter uma TV pública de qualidade, e tirá-la definitivamente da ante sala da mídia televisiva e do gabinete dos governos.

O que se espera de verdade, principalmente da nova geração de formadores de opinião e da cúpula jurídica de compromisso, são mecanismos para resolução destes empecilhos administrativos que devem ser analisados no que diz respeito a quem fica a frente dessas TV’s, haja vista que a liberdade de imprensa como ferramenta de ação democrática é um bem precioso que deve ser mantido sempre como prioridade neste meio.

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Campanha movida a bala

Essa é uma matéria que fiz para o jornal onde trabalho (vamos fingir que ninguém sabe qual é. :P).

No lugar do diálogo, a ameaça. No lugar da campanha, a bala. Há muito tempo não se via um clima tão violento nas eleições do interior do Estado. O Pará é o campeão em número de municípios que terão a segurança sob a responsabilidade de tropa do Exército, no dia da eleição. De 105 municípios do Brasil que fizeram o pedido, 95 são paraenses.

O doutor em ciência política Carlos Augusto Souza diz que, no interior, eliminar o candidato é uma das formas de impedir com que ele consiga se eleger. ‘Grande parte das políticas públicas locais fica nas mãos de prefeitos e vereadores. E como o município não tem condições de atender toda a demanda de reivindicações, acaba priorizando o que considera ser mais importante. Com isso, entra em conflito com os interesses de terceiros. Por esse motivo, a incidência de crimes no interior no período de eleições aumenta consideravelmente’, explica.

No Pará, já foram registrados o assassinato de um candidato a vereador em Uruará, no oeste do Estado, e do candidato do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) a prefeito de Rio Maria, Agemiro Gomes da Silva, executado com um tiro na nuca. Ele já havia sobrevivido a outro atentado. O vereador de Tomé-Açu, Bruno Spinasse, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), também sofreu na mão dos criminosos. Ele foi baleado no braço em uma tentativa de assalto, quando estava acompanhado do prefeito do município, Franciscos Eudes Lopes Rodrigues. Além disso, um trio elétrico do candidato a prefeito de Capitão Poço, Raimundo Belo, foi incendiado por três homens.

A violência, principalmente no plano local, segundo o cientista político, ocorre em função da cidadania inserir novos setores que contestam as autoridades. ‘Na época da ditadura, por exemplo, isso era muito mais difícil. Já na democracia, existem movimentos populares que reivindicam seus direitos. Se a liderança local não estiver satisfazendo o eleitor, a solução encontrada pode não ser tão passiva. Mas, como o crime é algo que está à margem da lei, ‘terceirizar’o serviço é algo muito comum. O político ou o líder de um movimento popular não vão sujar as mãos com a execução do trabalho ‘sujo’’, considera Carlos Augusto Souza.

O cientista político lembra que, muitas vezes, os problemas são decorrentes de outros conflitos – como os relacionados à terra, mineração e madeira – que também se articulam com as eleições.

O coordenador de Serviços Gerais Tribunal Regional Eleitoral, Flávio Rocha, informou que o pedido de tropas federais é feito através de uma consulta nos cartórios eleitorais. É analisada a situação política de cada município. ‘Nós fazemos o possível para garantir a realização das eleições. Mas quando a eleição é municipal, isso é ainda mais complicado, já que a disputa local gera algumas animosidades. A segurança, nesses casos, é insuficiente’, informou.

MUNICÍPIOS

O procurador da República Ubiratan Cazetta, procurador regional eleitoral, informou que entre os municípios que com histórico de violência estão Capitão Poço, Viseu, Concórdia do Pará, Barcarena e Curuçá. ‘Em alguns casos, apesar de terem sido crimes contra políticos, nem sempre são eleitorais’, diz o procurador.

Segundo Ubiratan Cazetta, o monitoramento dos municípios é feito junto com a Secretaria de Segurança (Segup) para tentar prevenir a violência no período das campanhas políticas e eleições. ‘Viseu, por exemplo, está com um efetivo de policiais muito pequeno, o que não é suficiente. Por isso, o município não terá zona eleitoral. Ele não tem a mínima condição de segurança’, disse. Já em Barcarena, nordeste do Estado, a distância de postos policiais e a falta de estrutura do município são agravantes para provocar a violência.

Sobre o caso do vereador Bruno Spinasse, o procurador acredita que o crime não teve motivação política. É mais provável mesmo que tenha sido um assalto. ‘Nada indica que a intuição do vereador seja verdadeira. Ele apenas supõe que os assaltantes queriam matar o prefeito de Tomé-Açu’, constatou.

Vereador acredita em motivação política no baleamento de que foi vítima

No dia 19 de deste mês, o vereador do município de Tomé-Açu, Bruno Spinasse, foi baleado no braço ao reagir contra o que, a princípio, seria um assalto. O crime ocorreu por volta de 10h da manhã, na avenida Sezerdelo Corrêa, entre as avenidas Gentil Bittencourt e Brás de Aguiar, em Belém. O vereador estava acompanhado do prefeito Tomé-Açu, Francisco Eudes Lopes Rodrigues, que também é filiado ao PSDB. ‘Eu não acredito que tenha sido um assalto. Porque quando a pessoa quer roubar alguma coisa, ela não chega atirando. Os bandidos foram na minha direção’, disse o prefeito.

O prefeito de Tomé-Açu diz que recebe constantes ameaças, inclusive de um deputado federal. ‘Eu tenho tudo gravado. Tenho, inclusive, uma ação na Justiça contra o deputado. O Bruno também está sendo ameaçado todos os dias no próprio hospital. Já até o aconselhei a desligar o telefone. Ele ainda está em recuperação ‘.

FUGA

Francisco Eudes Lopes Rodrigues declarou que foi abordado quando estava saindo de uma ótica. ‘Estava acompanhado da minha filha e do Bruno. Quando saí do local para pegar o carro, eles vieram em minha direção e minha filha se assustou. Foi quando Bruno entrou na minha frente antes que eu fosse atingido’, explicou. Os dois acusados chegaram ao local de bicicleta e fugiram em uma moto. Os policiais já têm informações sobre os dois suspeitos de terem atirado no vereador.

O caso mais recente aconteceu no dia 26 de agosto, em Capitão Poço. Três homens incendiaram o trio elétrico do candidato a prefeito Raimundo Belo, do Partido Popular (PP). O veículo estava localizado nos fundos da casa dos pais do candidato. O fogo começou quando os criminosos jogaram duas garrafas com gasolina e, possivelmente, uma estopa com fogo. Eles fugiram em seguida em uma caminhonete. Dois suspeitos já foram presos.

Cientista político vê inutilidade na mobilização de tropas federais

A violência no período das eleições é histórica no Pará. Em 1950, por exemplo, a disputa acirrada entre Magalhães Barata e Zacharias de Assunção gerou vários conflitos. O cientista político José Carneiro diz que, na época, esse tipo de acontecimento era justificável, já que existiam várias formas de fraudar a votação. ‘O Zacharias de Assunção mandava estragar as urnas de todas as zonas eleitorais onde o Magalhães Barata estava vencendo. Tanto que, nesse período, tiveram que fazer eleições suplementares em vários municípios do Estado. Só depois é que Assunção foi confirmado como governador do Pará’, informou.

José Carneiro acredita que o envio de tropas federais é um exagero. Segundo ele, isso é coisa do passado. ‘Hoje, com a informatização das urnas, o clima político pesado entre os candidatos não atrapalha na apuração dos votos, por exemplo. As tropas federais vão garantir o quê? Eles mandam um efetivo de apenas seis soldados do Exército que, no final das contas, ficam passeando. Em 1966, me mandaram para Castanhal na época das eleições, e foi isso que fiz. É só um efeito cênico, não moral’, informou.

Segundo o cientista político, o país vive em outra época, mas insiste em se prender ao passado. ‘Tudo vem em disquete ou CD, já vivemos em outro mundo. As eleições estão muito mais limpas e transparentes. Bebida, por exemplo, não é um empecilho na hora da votação. Mas é lei. Não se consegue mais fraudar mapas de votação. Isso, se acontecer, só pode ser pelo TRE, o que acho bastante difícil.’

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Eu sou muito 77

Bem, tudo começou na aula de Cidadania da professora D.. Ela mostrou uma foto dos acusados do assassinato do menino João Hélio sendo agarrados pelo pescoço pelos policiais que os capturaram. Os policiais estão rindo, forçando os rapazes a mostrarem o rosto pra câmera fotográfica.
Estávamos em debate na sala e ela perguntou tão somente o que achávamos da foto. Eu disse que gostava da foto. Que queria ter dado uma enforcadinha de leve neles também.
O debate pipocou. “E os direitos humanos?”, “É muito fácil se projetar no lugar da mãe do João Hélio, mas e as mães dos acusados?”, “Você não pensa nas mães desses rapazes vendo essa foto?”, “Haja com racionalidade”, “Pensando assim você se iguala a eles!”.
Opa. “Pensando assim você se iguala a eles!” soou forte pra mim. Foi essa frase que me calou no debate. Nem tive mais forças pra argumentar que as próprias mães deles declararam que preferiam mil vezes estar no lugar da mãe do João Hélio, que se solidarizavam com ela, que estavam sentindo a mesma dor que ela… Saí de lá me achando mesmo tão assassina e cruel quanto aqueles caras… Isso foi na segunda-feira.
Na quinta-feira, aula de Psicologia da Comunicação da professora A.. Tarefa do dia – no caso, da noite – assistir ao filme alemão A experiência e depois escrever um texto sobre ele – que é este aqui.
A experiência se passa no subsolo de uma faculdade de medicina e é monitorada por professores/médicos. Nela, 20 homens selecionados e testados terão que se dividir: 12 como prisioneiros e 8 como policiais. E conviver por 15 dias em troca de um bom dinheiro. Todos os ambientes terão câmeras 24 horas por dia para que a equipe possa analisar a convivência entre os dois grupos criados. Big Brother pouco é bobagem!…
Bem, pra resumir bastante, a experiência não dura nem 10, que dirá 15 dias. A rivalidade entre os grupos toma proporções enormes, que ultrapassam os limites da experiência.
Identificação total minha com o taxista que integra o grupo dos presidiários. O 77 – os presos eram denominados por números – é aquele que ao invés de pensar só em si, pensa no coletivo, no grupo, e só se ferra. Bem eu.
Pra exemplificar: estão todos os presos tomando café da manhã e os guardas alertam que eles não podem deixar nada, têm que comer tudo. É quando um deles diz que não toma leite. Os guardas ameaçam, o preso fica aflito. O 77 vai, pega a caixinha de leite e bebe toda. Salvou o colega…
… e se ferrou e ferrou o grupo! Os guardas mandam que eles façam flexões, por conta do “desacato” de 77.
O 77 fica marcado, claro. E sofre um bocado nas mãos dos policiais, porque não baixa a cabeça nunca. Eles chegam ao ponto de “seqüestrá-lo”, driblando as câmeras e tudo mais. Levam o 77 pra uma sala escura onde possam conversar melhor com ele. Lá, além de apanhar, ter o cabelo raspado e agüentar cada um dos policiais fazerem xixi nele, o 77 também ouve um conselho: que no dia seguinte ele peça pra sair da experiência.
Ele não pede pra sair, claro.
O filme peca ao querer transformar o 77 em um super-herói. Ele é claustrofóbico. Em um determinado momento se vê trancado em uma caixa preta onde ele só cabe se for agachado – situação parecida com a que Pedro Bala, o chefe dos Capitães da Areia – livro de Jorge Amado – passou na cafua do reformatório, que ficava no vão debaixo da escada, o impedindo de ficar de pé também. É a retirada da dignidade; o igualamento aos animais rastejantes.
Mas assim como Pedro, o 77 não era um homem qualquer. Ele não só consegue se libertar da caixa preta como também salvar seus companheiros – eu comentei que ele era meio MacGyver e é, claro, ninguém na minha sala sabia quem era o MacGyver!
O elo entre a aula da professora D. com a da professora A. se deu quando o 77, depois de uma luta espetacular, conseguiu imobilizar seu principal algoz. Ele fica por cima do bandido com as mãos justamente no pescoço dele! Ahá!
Ele poderia matar o cara se quisesse, tanto que o rosto do outro já estava começando a ficar roxo e transfigurado. É quando um companheiro de cela dele diz: “Ei, você já venceu, não vale a pena, vamos embora”. Ele dá mais uma enforcadinha no cara e o larga, indo embora tranquilamente rumo à liberdade, não se igualando ao cara, afinal.
O filme conta aquela velha história de que se você quer conhecer realmente o caráter de alguém é só dar poder a ele… Mas conta também que às vezes é preciso a gente dar uma enforcadinha sim, pra extravasar, e que ela não nos iguala ao bandido coisa nenhuma. Ela nos liberta.
A velha e boa catarse.

PS – Texto feito ano passado para a disciplina Psicologia da Comunicação. 🙂

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Arquivado em Luciana

Este não vai se chamar: “A voz do representante” ou “Conversa com minha turma”, trata-se apenas do meu primeiro post

As disciplinas que favorecem a situação do debate em sala de aula, pelo menos em uma ocasião tiveram uma pauta de discussão em comum, que é o papel do jornalista dentro da sociedade e os dilemas de como pôr em prática o discernirmento ético, seja nas redações, frente às câmeras ou em qualquer setor onde podem funcionar os diferentes segmentos jornalísticos.

Gostaria de ter como primeiro post desta minha categoria, um texto que desenvolvi no terceiro semestre, período em que assumi o cargo de representante da turma e que também por esse motivo, este trabalho acaba me trazendo recordações de uma época mais do que nunca movimentada dentro da Universidade, já que ele comenta sobre responsabilidades e objetivos finais que não faltaram nessa jornada a partir desta data, particularmente.

A obrigação de informar movido pela paixão.

Como chegar numa redação e muitas vezes se deparar com a situação de obedecer ao seu editor, se colocando entre a cruz e a espada quando ele o faz escrever algo que vai diretamente contra os princípios do jornalista sério, comprometido com as questões sociais e com a isenção profissional acima de tudo, sem citar as questões jurídicas que envolvem a validade ou não da formação acadêmica do jornalista?

Com todas as pressões e atentados que o jornalismo sofre só a paixão pelo ofício justifica o vigor desses incansáveis heróis da mídia. Considerada a “menina dos olhos” para os poderosos que almejam corrompê-la, a imprensa convive diariamente com o glamour caminhando ao seu lado e pode ter também seus dias de vilã, para isso basta somente um ato falho de um comunicólogo que por ventura noticie algo indevido causando conseqüências comprometedoras à sua credibilidade ou ao veículo de comunicação que esteja à frente.

O jornalista tem o dever de se responsabilizar por seus erros cometidos e por suas conseqüências, oferecer-se sempre a favor da cidadania mostrando o caminho das pedras. Se não estiver preparado para ter uma visão crítica da história e da sociedade, o jornalista poderá contribuir para alienar ainda mais ao invés de libertar os excluídos. Quando o Sujeito não se reconhece como produtor das obras e como sujeito da história, mas toma as obras e a história como força estranha, exteriores, alheia a ele e que o dominam e perseguem. Esta é a impossibilidade do indivíduo identificar-se com sua obra, tomando-a como um poder separado dele.

O objetivo do jornalismo também será refletir sobre essas questões. Que diálogo é possível estabelecer entre a produção colaborativa de software e a população? Quando se fecham as fronteiras entre produtores e consumidores de informação que perspectivas se desenham para o futuro? Através de processos de seleção e de enquadramento, e ao fazerem circular as informações, a mídia orienta a opinião pública e estabelecem a agenda dos consumidores introduzem espetáculos contendo “baixaria” (termo relacionado a questões de sexo e violência, mas deixa de lado questões mais sutis de Direitos humanos e de valores sociais e culturais. Assim, de certo modo, a denominação repete uma tendência crítica na mídia, que é pra atingir o maior número, abdicar na reflexão mais cuidadosa, não solicitando de seu interlocutor um esforço de compreensão mais abrangente. BRAGA, 2006, pag. 242.)

O jornalista comprometido com o seu dever deve criar expectativas no seu próprio local de trabalho como: o acionamento da opinião pública para um olhar crítico, a pressão direta com base no ranking que funcionaria como um alerta público contra informações distorcidas, uma pressão direta sobre casos que pudessem ocultar direitos dos cidadãos.

Existe um leque de funções que o jornalista deve seguir, o não cumprimento delas reforçou a idéia de desconfiança de muitos veículos antes prestigiados e que agora perderam quase que por completo a sua credibilidade

Devem ser cumpridas as normas do social na imprensa, justificando a importância do diploma acadêmico para que assim seja garantida a qualidade nesse segmento de extrema importância no cotidiano da sociedade, fazendo gerar profissionais defensores da verdadeira liberdade de opinião, assim como deve ser respeitada a da própria imprensa.

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Arquivado em Ronald

Bem-vindos ao FOCALIZE!

Que este blog traga só coisas boas e faça com que, pelo texto, nos aproximemos mais e mais. 😉

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Arquivado em Aldirene, Alex, Ana Carolina, Ana Paula, Antônio, Arthur, Bruno, Cantarely, Carlos, Delianne, Diego Ferreira, Diego Santos, Fábio, Felipe, Fernanda, Gabriel, Giluí, Gustavo, Heleíze, Igor Alessandro, Igor Raphael, Jackeline, Jordana, Juliana, Kleberson, Leandro, Leila, Liliane, Luciana, Markinho, Paulo, Poliana, Ricardo, Ronald, Sandy, Soane, Tainá, Talita, Thiago, Ticiane, Yasmin